quinta-feira, 21 de junho de 2012

VENDENDO O DIRCEU


          Dirceu Ayres.


Depois de sofrer pressão
E de ter sido enganado,             
Eu não fico embriagado
Eu não tenho depressão;
Mais ando desconfiado
Que preciso ter cuidado,
Vão me vender no leilão.

To ficando um cabra feio
Desarrumado e barbudo
Mesmo sendo carrancudo
Banguelo careca e meio
Xexelento e barrigudo
Meio gordo com recheio,
Não escapo, vou pro fundo.

A lia, a minha mulher
Que andava escondida
Com uma idéia bandida
Do jeito que não se quer
E a idéia que lhe move,
Por “um e noventa e nove”
Vender-me a quem quiser.

Sou obra da natureza
Tenho tanta perfeição
Mesmo com imaginação
Onde tem tanta grandeza?
Com essa minha beleza
O arco Íris e suas cores
Desmancha-se em louvores
Em um dia bem nublado,
Sou artista, bem cuidado;
Na arte aplico os Amores. 

Fui criado nas miragens
No sertão, local deserto!
Com um destino incerto,
No corpo tenho mensagens
Com abstratas imagens
Deus que ninguém profana,
Como chefe em caravana,
Orgulha-me ser porta- voz
De uns primitivos Heróis
Minha origem não engana.

Um filho da Natureza
Nunca acertei ser bandido,
Nunca fiz coisa escondido
O meu mundo é uma beleza.     
Uma pessoa sem maldade,
A criatura sem queixume,
Não justifica o azedume
Dessas pessoas de idade,
Só justifica a saudade
De pessoa com mais lume.     

Pois não pode ser vendido
Uma pessoa que é tão nobre
Mesmo por ser assim pobre,
É sempre bem destemido.
Por “um e noventa e nove”
Que não é preço decente
E ainda quer que agüente
Essa idéia que lhe move.
Pois jamais serei vendido
Por ser muito bem querido
E prá não ser o ofendido,  
Tem pessoa que me acode.      

domingo, 17 de junho de 2012

A BÉLA NAYDA


                                         DIRCEU AYRES

Quando fui para são Paulo
Fui triste encabulado,
Acho que tinha escutado
Coisa que me deu abalo.

Enchi-me de mais ternura
Quando vi aquela estranha,
Não tem nada de medonha
Pois carrega formosura.

Tive susto bem danado.
Quando seu ap. cheguei,
Susto igual nunca terei;
Com jeito tão engraçado.

 Naíde foi uma paixão
E sem ta desesperado,
Só um pouco espantado,
A Nayda foi encontrão.

Eu já fui apaixonado
Por uma que era Naíde,
Pois o Destino decide
A Nayda ser um achado.

Moça que tem formosura
Simples, dócil, muito meiga,
Acho que é feita de seda
Essa doce criatura.

Ela tem um namorado,
O Cabra não é “fininho”
Mesmo forte, é Chiquinho...
E quer ser paparicado.


Espero que seja amado
E eu não diga besteira,
Senão eu pego a peixeira;
Vou capar o desgraçado.
Vou esquecer minha dor
E cuidar um pouco dela,
Fazer comida pra ela
E ser o seu Protetor.

Pois é assim que eu trato
As pessoas que eu gosto,
Tenho jeito não me encosto;
Pois eu sou Cabra do Mato.
Assim sendo não destrato
A pessoa que eu amo.
Faço tudo não reclamo,
Esse é meu, desiderato.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

OLHOS AZUIS

           OLHOS AZUIS         

Pajussara tem águas peregrinas
Mesmo andando sem inspiração
Como espelho que empata a visão
Ofuscando seu olhar, sua retina!
Más agora, infaustas da rotina
Transformou teu ser, tua beleza.
Filha linda que és da natureza,
Vem comigo ver águas cristalinas,
Cristalina e tão puramente clara
Que são águas bonitas da pajussara.    

Avião, um clarão exclui os ignotos
Pois é rota de indômitos Pilotos,
Mistério do céu azul vai rebrotando;
O Graal das metáforas vai doirando
Como uma arte de divina Alquimia,
Brancura da pele, melanina existia;
Os amores que por certo já fazia
Meu amor por aqui ficou chorado.
Olhos azuis que está admirado
Sentimentos têm não se esvazia.

 Descrição dessa donzela
Com seus olhos tão azuis,
O prazer que tenho nela,
O olhar dela me seduz.
Pois o que nos livros achei,
Rimar poesia nessa história
Pois eu nada acrescentei,
Tudo que vem da senhora
Muita coisa, eu consultei,
Pois ela é minha até agora.



ELE AINDA NÃO MORREU




                              DIRCEU AYRES

Leve em conta, o Poeta não morreu;
Amigos certos, sentirão saudade
Tanto dos versos que ele escreveu
Como palavras de maviosidade.

É certo que seus versos não morrerão,
Estará sempre em cada um de nós,
Todos os versos declamados e ouvirão
Que cada Poema conterá a sua voz.

O Poeta que para nós nunca morreu
Pode até tá “encantado”, ouso dizer
Pois Poeta igual a ele não nasceu
Ou não fez ainda por onde merecer.

É muito certo que a lembrança ficará;
Profundamente encravado em nosso ser
Em todo verso por bom tempo se ouvirá
Boa lembrança, o carinho e bem querer.

ÁÇO DE BOA TÊMPERA



                DIRCEU AYRES

Meu aço não destempera
Pois sou de aço forjado,
Não vivo destemperado
E comigo não se espera.

Sou aço inoxidável
No fogo eu fui forjado
Depois eu fui molhado,           
Bem tratado e moldável.

Com raiva sou ferro em brasa
Na água eu fui temperado,
Ferro Gusa misturado
Para um aço bem tratado.

Na forja eu fui derretido
Peguei forma com o malho
Faíscas que eu espalho,
Bom estar de bem comigo.

Leva ao fogo, destempera;
Agulha, carro, caminhão,
Canivete, faca e facão,
No forno o aço tempera.

Fabrica ponta de flecha,
Usa o aço prá canhão,
No ponteiro do ferrão
Prá tudo o aço se presta.

Ser de aço como eu sou
Ter a forma tão ladina
Com uso na medicina,
Bisturi pinça e pivô.

Faz a enxada que cave
Após derreter o aço,
De pedaço em pedaço,
Fazem até espaçonave.
Pense como sou homem
De aço todo forjado,
Tenho de deixar legado;
Essa idéia me consome.

Se for o jeito que tem
E outro jeito não há;
O meu jeito é não deixar
O aço, para ninguém.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

A HORA DA MORTE

   
     DIRCEU AYRES                  

Nem as sombras de inúmeras feições
Brados desmontados, queixos caídos,   
Lágrimas falsas caindo para o chão,
Risos de escárnio, ou gritos já vencidos.

Só lendas e sendas de um trovador,
Bocas cantando uma bela canção,
Só as sagas desse grande sonhador
Dedos volitando cordas de um violão.

E assim minha alma com ternura
Subirá para a terra da luz dourada
Para onde vou o local só tem doçura
Não trilhará nunca mais esta estrada.

Aí sim, vencerei a morte tão danada!
Levarei comigo essa minha amizade
Dos que ficam prá trilhar essa estrada
E com isso diminuirei a tal saudade.

Pois amizade é pura não se contamina
Será lembrada muito além do infinito,
O prazer de tela junto é que me anima
Não preciso vê-la, pois, apenas sinto.

Seguirei por fim a grande estrada
Até chegar na entrada da caverna
Dos antigos com estória tão sofrida.
Local amigo onde a vida se encerra.